As misteriosas mulheres menstruadas e seus camelos |
Meu primeiro relacionamento com os coletores menstruais veio dessa viagem aí - uma viagem surpreendente, inesquecível, daquelas que nos deixam com um monte de interrogações na cabeça e a sensação que ainda se sabe muito pouco sobre tudo. Aliás, a grande impressão que eu tenho a cerca do ato de menstruar é que eu sei muitissimo pouco sobre ela, e que parte do que sei está manchado de preconceitos e vergonhas. Acho que vou arrumar uma forma de mistificar para desmistificar, encantar a menstruação para que ela fique menos desencantadora.
A Amália é a minha amiga estadunidense que eu conheci jogando capoeira em Barcelona, uma dessas mulheres que já deram uma boa caminhada pelo mundo e que estão cheias de coragem e histórias para contar. Eu e Amália vivemos juntas a estranha sensação de ser mulher em um país árabe, a sensação de ser um estranho bicho, encaradas com desejo, desprezo, medo, admiração. Para mim a maior sensação era ter o limite da independência testado - todos que nos encaravam nos perguntavam se não tinhamos medo de viajar sozinhas por um país onde uma mulher só é respeitada ao lado de um homem. Não, não temos medo, estamos aqui é para romper fronteiras mesmo.
Amália me apresentou ao pequeno copinho do qual eu até então nunca ouvira falar, me falou sobre os contras dos absorventes internos e a maravilha daquela pequena revolução. Eu fiquei intrigada, mas junto dela, buscando o melhor lugar entre as dunas para fazer um banheirinho improvisado, eu percebi que aquela era uma boa idéia. (essas intimidade que só entre mulheres é que se tem...)
Só tempos mais tarde o tal copinho passou a ser fabricado no Brasil e tende agora a ser mais conhecido e utilizado pelas mulheres.
Eu gosto dele antes de mais nada pois me dá mais sensação de independência e liberdade, assim como viajar. E eu realmente gosto de pensar que tem um pouco de mistério que escorre de mim, esse sangue tão misterioso e polêmico como o próprio deserto do Sahara.
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